segunda-feira, dezembro 03, 2007

Dia Internacional da Pessoa com Deficiência















Há pais que se separam ou ligam-se ainda mais, quando nasce um filho com deficiência.
Há pais que na "sua pena viva" tudo fazem em prol do seu crescimento saudável numa sociedade mais aberta, porque longe vão os tempos em que enclausuravam-nos para que ninguém os visse.
Mas somos governados por quem dá apenas uma pensão vitalícia a partir dos 18 anos mas cujas instituições públicas são precárias e por vezes inúteis. Por questões monetárias ou logísticas nem todos conseguem chegar às privadas.
Na vasta área da deficiência também não se vê, por parte da sociedade, o respeito pelos seus direitos, desde os acessos de mobilidade ao olhar indiscreto, maléfico e parolo.
Depois a hipocrisia de empresas privadas que, após saberem exaustivamente as suas limitações, recebem-nos como voluntários e num abrir e fechar de olhos, o que para os pais parecia uma luz ao fundo do túnel torna-se no negrume do "vai-te embora porque não prestas e ninguém te percebe".
Hoje apeteceu-me bater forte e feio.
Hoje apeteceu-me cuspir na cara de algumas pessoas engalanadas no dia de...
Hoje apeteceu-me...
mas apenas denunciei nos órgãos competentes que se dizem de "bem" o que de "mal" se passa.
Tu és linda, os teus pais e irmão são lindos e já falei contigo...não ligues a essas duas PARVAS que gozaram contigo e sabes porquê? Porque um dia elas sentirão na pele o que os teus pais sentiram e sentem. Tiraste o 9º ano para o qual, muitos normais estão-se nas tintas. És acarinhada nos escuteiros, no grupo de jovens onde tens amigos e amigas que não te deixam sózinha e levam-te para todo o lado.
Hoje o meu sorriso vai para ti, que dizes de uma forma irradiante: tia eu sou especial!
Mas hoje e sozinha chorei compulsivamente de raiva perante "gentinha" que julgam que só acontece aos outros!

8 Comments:

Blogger wind said...

Emocionante, forte, humano, crítica social, mas antes de mais de denuncia.
Posso assinar por baixo?
Beijocas para ti e para ela, pois foi uma como ela, que me ensinou a mexer num computador.
Era deficiente motora e usava capacete. Ensinou-me tudo sem o rato, já passaram alguns anos, mas nunca a esqueci.

3/12/07 21:34  
Blogger mfc said...

um grande abraço ao teu sobrinhito!

3/12/07 22:39  
Blogger Francis said...

Falaste na hipocrisia das empresas privadas. Pois bem, nesta nossa aculturação americana, digo-te que o futuro dificilmente será melhor.

O recente filme de Michael Moore "Sicko" fala da saúde na America actual e na portuguesa daqui a uns 20 anos.

É assustador.
A não perder.

Kiss, Kiss!

4/12/07 10:30  
Anonymous Black Cat said...

Eu acredito no lema "todos diferentes, todos iguais"... Para a tua sobrinha, um grande beijo e FORÇA!

4/12/07 11:10  
Blogger peciscas said...

Que nunca a voz te doa, ao denunciares as misérias que ainda subsistem neste país, que amamos, mas que dia a dia nos envergonha.
País em que ainda permanecem mentalidades boçais, como a dessa gentinha, que, me custa bastante a aceitar como compatriotas.

4/12/07 17:10  
Blogger Fatyly said...

Wind
Claro que podes e lambro-me bem de narrares esse "aprendizado" tão gratificante.

mfc
darei sim:)

Francis
pode ser mas eu acredito que não, já que apesar dos pesares hoje estamos melhor que há 30 anos em que os deficientes eram guardados como animais.

Black
por vezes esse lema é apenas um chavão num mundo de hipocrisia. Penso como tu:)

Peciscas
Disso não tenhas dúvidas alguma, vou até onde... nem imaginas, mas batem com a porta e eu abro-a delicadamente porque "bruto contra bruto saí borrada":) Compatriotas? não, jamais!

Beijos e obrigado!

4/12/07 18:32  
Blogger Paula Raposo said...

E eu junto o meu grito ao teu grito! Cambada de hipócritas que com a capa de grandes apoios, lixam tudo à meia volta. Beijos para ti.

5/12/07 11:05  
Blogger Fatyly said...

Paula
Tal e qual e ainda por cima são muitos que proclamam aos sete ventos a "lealdade" para com os deficientes. Por esta altura se todos os pais se pronunciassem sobre certas empresas e instituições garanto-te que a maioria não tinha qualquer apoio de solidariedade por parte de um povo que se diz e EU ACREDITO, solidário.

Beijocas

5/12/07 17:01  

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